A direção de arte no cinema encarrega-se de desenhar a imagem do filme e de criar
uma concepção visual a partir dos aspectos temáticos, sejam eles históricos,
econômicos, políticos, sociológicos, psicológicos ou religiosos, provenientes do
dispositivo narrativo. Outorgando ao filme uma estética global e uma coerência visual
na sua mise-en-scène.
Sendo assim, este Trabalho de Conclusão de Curso tem como principal objetivo explorar
a filmografia do diretor M. Night Shyamalan, em busca do traço característico que define
a fusão entre o roteiro e a posta em cena. Problematiza na base do gênero fantástico,
originário da literatura e da interpretação dramática do teatro, enfatizando a passagem
do cinema moderno para o cinema pós-moderno. Aguçando assim o conflito entre o
analógico e o digital; a realidade e a ficção; o imaginário e o real. Cabe assim a questão
da pesquisa: o cinema de Shyamalan soube incorporar o caráter mediador da linguagem
cinematográfica na performance imagem-tempo? A hipótese salienta o estilo fantástico
transcendental que na ordem dos efeitos que o diretor de arte provoca com sua
filmografia sobre o espectador fornece uma experiência estética única do tempo real no
espaço virtual. Neste sentido, a principal contribuição deste TCC à reflexão da pósgraduação em Direção de Arte em Comunicação, baseia-se na fruição que vai do Sexto
sentido (1999) a Batem à porta (2023), representando o verdadeiro despertar do grande
público à verdade cinematográfica: aquém da realidade e além pela via da ficção. Os
procedimentos metodológicos partem da pesquisa exploratória, bibliográfica e autoral,
usando como referencial teórico as duas obras de Gilles Deleuze que marcaram a
performance das teorias do cinema tanto da produção quanto da recepção dos filmes
como produtos culturais. Por esta razão, o capítulo 1 trata do gênero fantástico na
produção do diretor, o capítulo 2 se aprofunda a imagem-tempo proposta por Deleuze,
no capítulo 3 analisam-se os filmes mais destacados da carreira do cineasta, o capítulo
4 específica acerca da direção de arte, prefigurando a experiência estética na pósmodernidade para, no capítulo 5 ensaiar sobre a fábula e os predicados do terror e, a
psicopatologia do super-herói e do vilão. Estes dois últimos capítulos contemplam os
resultados do estudo, por um lado, uma direção de arte focada nos efeitos emocionais
da mise-en-scène, e por outro, empenhada em salientar uma antropologia ancorada na
vulnerabilidade da condição humana.